É interessante escrever sobre as fases obscuras das grandes bandas de
rock. Muitas delas, ou a totalidade, já passaram por momentos ruins, de
pouca criatividade e produções fracas. E até as mais geniais não
fugiram à esta regra.

Na
década de 80, o PINK FLOYD fragmentou-se (o que foi praticamente
previsto após o lançamento de THE FINAL CUT) e ROGER WATERS deixou a
banda. DAVID GILMOUR, por sua vez, assumiu a liderança da lendária
entidade inglesa e lançou o álbum “A MOMENTARY LAPSE OF REASON” (o
patinho feio da discografia). Para falar a verdade, o “Patinho Feio” do
PINK FLOYD é mais bonito
que muito Pato-de-Vitrine de outros conjuntos, mas isto não vem ao
caso. A MOMENTARY LAPSE OF REASON é um trabalho no mínimo inconstante,
com diversos altos e baixos e músicos desconhecidos em seu line-up que
não captaram a essência da banda. Poucas canções deste trabalho fizeram
jus à grandeza do PINK FLOYD, talvez “ON THE TURNING AWAY” e “SORROW”. E
só. No mais, o que observamos são teclados oitentistas, timbragens
estranhas e até alguns experimentos eletrônicos.

As
décadas de 80 e 90 também fizeram mal ao BLACK SABBATH. Após a saída de
RONALD JAMES PADOVANA, ou DIO (como preferirem), os pais do heavy metal
tornaram-se a “Casa-da-Mãe-Joana”, com vários integrantes ioiôs e
pistoleiros de aluguel contratados para a cozinha e sala-de-visitas do
conjunto. Como pontos positivos desta época, podemos citar lampejos dos
álbuns BORN AGAIN (1983), com IAN GILLAN nos vocais, SEVENTH STAR
(1986), com o grande GLENN HUGHES e que inicialmente seria um trabalho
SOLO de TONY IOMMI, e o DEHUMANIZER, de 1992, que marcou o retorno de
DIO ao posto de FRONTMAN da banda. Bons trabalhos, no entanto, fracos se
comparados ao período mais produtivo dos comparsas de OZZY OSBOURNE,
TONY IOMMI e DIO (de BLACK SABBATH à MOB RULES).

Mesmo
o IRON MAIDEN provou da fruta amarga de conceber trabalhos de qualidade
duvidosa. Ao final de 1992, BRUCE DICKINSON deixava a DONZELA e para o
seu lugar, o BIG BOSS Mr. HARRIS recrutou o semi-conhecido BLAZE BAYLEY,
que até então era vocalista da WOLFSBANE, uma boa banda de HARD ROCK do
circuito UNDERGROUND da Inglaterra. O BIG BOSS já havia se
impressionado com a performance do frontman na turnê do NO PRAYER FOR
THE DYING em 1990 (à época, a WOLFSBANE abriu alguns espetáculos para o
MAIDEN), o que leva a crer que todo o circo armado para sua entrada na
banda, como concurso
mundial, testes e etc, foi pura balela de marketing. BLAZE BAYLEY
participou de um álbum bom, o THE X FACTOR, e de outro álbum, este sim
muito ruim, o VIRTUAL XI. Aliado à isso, o desempenho de BLAZE ao vivo
era muitas vezes constrangedor, e o final desta história todo mundo já
sabe: BLAZE demitido da DONZELA e levando de brinde o ônus completo pela
culpa dos anos de menor criatividade do IRON MAIDEN, uma injustiça sem
tamanho.

E
não para por aqui: aos que chegaram a reclamar do METALLICA pelo BLACK
ALBUM e pela dupla LOAD/RELOAD, ST.ANGER tornou-se motivo de suicídio! O
álbum foi um tiro na testa dos fãs e um prato cheio para os críticos da
banda, além de ser seguramente um dos piores trabalhos
lançados por uma grande banda de Rock em todos os tempos, talvez melhor
(ou menos pior!) apenas que o UNDER WRAPS, do JETHRO TULL.
Manchas
negras em currículos quase impecáveis. Por sorte, o melhor alvejante
que existe são as boas coisas já criadas, que jamais serão ofuscadas por
estes delizes.
Mas fica aqui o registro da máxima de que ninguém é perfeito.
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