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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Especial: Dead Fish 20 Anos- O legado da banda pra o rock nacional

Vitória, Espírito Santo, início dos anos 90. Um grupo de amigos que curtiam andar de skate resolveu se reunir para tocar junto. Sem qualquer pretensão e inspirados por Dead Kennedys, Inocents e 7 Seconds, Marcelo “Suicidal” (vocal), Marcel Dadalto (guitarra solo), Gustavo “Arroz” Buteri (guitarra base), Leonardo “Formiguinha” (baixo) e Leandro “Nô” (bateria) formaram o Stage Dive. Pouco tempo depois, Rodrigo Lima assumiu os vocais e é onde a história começa de verdade.
Fonte: Arquivo pessoal
Não tinham instrumentos e não sabiam tocar. Aprenderam a fazer, fazendo. De covers de Ramones, Bad Brains e Bad Religion, logo passaram a compor suas próprias músicas e a fazer os primeiros shows. Descobriram que já existiam bandas chamadas Stage Dive, então escreveram alguns nomes em um papel. O sorteado foi Dead Fresh Fish, que acabou reduzido para Dead Fish.
Já na primeira demo tape, #1, composta por oito faixas de um ensaio em estúdio, estavam presentes os riffs rápidos e as letras conscientes. Parte das composições foi feita pelo Rodrigo e outra parte por amigos de Vitória. A essa altura, Tiago Lima (baixo) já integrava a banda.
Em 1994 gravaram outra demo, Re-Progresso, que contava com uma qualidade melhor e um amadurecimento musical. Apesar da boa repercussão, a banda começou a sentir um desgaste, não tinham o retorno esperado e se sentiam frustrados por não receberem nenhuma proposta de gravação. Somado a isso, Rodrigo, Nô e Marcel estavam iniciando a faculdade e as cobranças aumentaram.
Em 1996, com o falecimento de seu pai, Rodrigo acabou desanimando de vez. Ficaram parados por quase um ano até que começaram a se reunir novamente para tocar com amigos, a princípio apenas por diversão. A diversão resultou na volta do Dead Fish.
Incentivados por Marcelinho Buteri (irmão do “Arroz”), Nô e Rodrigo decidiram retomar a banda. Marcel já estava fazendo um outro tipo de som e Tiago já tinha entrado na faculdade e desencanado de tocar. As guitarras ficaram então por conta de Murilo Queiroz e do próprio Marcelinho, que também improvisava no baixo até o dia em que Alyand Mielle ligou pedindo para marcar um teste.
O episódio se tornou motivo de piada. Nas palavras da banda, “ele chegou todo pedreiro” e estava tenso por estar tocando com eles. Alyand foi aceito, começaram a fazer mais shows e surgiu a proposta para gravarem o primeiro cd, Sirva-se, lançado no início de 1998. O disco é uma mescla de regravações antigas com novas composições, já em português.
Antes mesmo de darem uma pausa, já existiam duas músicas no idioma, eram elas Compra! e Anarquia Corporation. A necessidade em passar uma mensagem que pudesse realmente ser compreendida fez com que deixassem mais de lado as composições em inglês.
Fonte: Arquivo pessoal
Na época, bandas de hardcore não cantavam em português. Era algo considerado melodicamente inviável. Mas o Dead Fish tinha algo a mais a dizer E não queria que o conteúdo das músicas passasse despercebido nas rodinhas punk durante o show. Deram um passo a frente e arriscaram-se em algo que deu mais do que certo. As letras políticas e sociais aliadas ao som rápido, agressivo e ao mesmo tempo melódico, foram moldando o jeito de se fazer hardcore no país.
Sirva-se foi lançado pelo selo capixaba Lona Records e é um álbum crítico, com mensagens fortes. Destaque para os clássicos MST, Anarquia Comportation e Just Skate.
Marcelinho já havia deixado a banda antes das gravações, apenas Murilo gravou o Sirva-se. Quando o cd foi lançado, Giuliano de Landa já tinha assumido a outra guitarra e por isso, mesmo não participando do processo de produção, está na sessão de fotos do encarte.
Com o primeiro cd em mãos, resolveram fazer a primeira turnê. Não conheciam o esquema e não tinham grana, mas com os contatos que possuíam em outros estados, conseguiram agendar alguns shows pelo sul e sudeste. Pagaram a van graças à venda de cds e produtos durante a tour.
A primeira experiência na estrada foi como um tiro no escuro, não sabiam o que esperar dos shows ou do público, mas o resultado foi positivo. Fizeram uma boa distribuição do cd, divulgaram bem o material e ainda ganharam uma motivação a mais para continuar o trabalho do grupo.
Desde cedo aprenderam a ser persistentes, correrem atrás por conta própria mesmo quando isso significava tirar dinheiro do próprio bolso. O que entrava de grana era guardado para ser investido na banda e foi graças a esse esquema que em 1999 gravaram Sonho Médio.
O álbum é histórico para o hardcore nacional. Apesar da proposta para continuar na Lona Records, decidiram que queriam fazer eles mesmos a produção e distribuição de um novo cd. Criaram um selo fictício, a princípio só para “ter o que colocar na capa”, e assim nasceu a Terceiro Mundo Produções Fonográficas (que além de lançar material do Dead Fish viria a lançar cds de bandas como Sugar Kane e Noção de Nada).
Sonho Médio é um clássico! Consolidou de vez a carreira da banda, com a mesma pegada forte e bom nível do anterior, porém ainda mais maduro. As 14 faixas, duas delas em inglês, seguem o padrão pesado, melódico e com letras inteligentes e reflexivas. A faixa-título é uma crítica à classe média e a sociedade de consumo, e se tornou um hino do hardcore nacional. Canção Para Amigos, Mulheres Negras e Paz Verde também estão entre as principais canções do disco e da carreira da banda. O disco todo é um marco, e mesmo mais de uma década depois, suas críticas se mostram atuais.
O esquema de distribuição de Sonho Médio começou com amigos e bandas de outros estados. Aos poucos foram surgindo mais shows em diversas partes do país e o cd atingiu a marca de mais de mil cópias vendidas! Segundo Rodrigo foi uma grande virada e foi quando perceberam que queriam viver da banda e que fariam tudo que pudessem para isso, sempre do jeito deles.
Com a boa repercussão dos dois primeiro álbuns, entraram em processo de gravação do próximo trabalho. Investiram um pouco mais de dinheiro, trabalharam mais tempo em estúdio, fizeram uma pré-produção. O resultado foi Afasia, lançado em 2001.
O disco tem uma sonoridade diferente dos antecessores, soa um pouco mais meloso e mais deprimido, representando, em partes, a fase pela qual a banda estava passando. Durante a finalização do álbum, que iria se chamar Iceberg, começaram a surgir conflitos internos entre os integrantes. As opiniões e atitudes de Giuliano passaram a divergir muito com o que Nô e Rodrigo estavam dispostos a fazer. O clima pesou nos shows e nos ensaios, e para evitar o fim da banda, se reuniram com Alyand e Murilo e chegaram ao consenso de que a saída de Giuliano era a melhor alternativa.
Fonte: Google
Como achavam necessário um segundo guitarrista, durante um tempo contaram com a colaboração de amigos de outras bandas para tocar nos shows. Marcelinho fez algumas apresentações, mas não tinha disponibilidade de ficar viajando, então “Bambo” (Noção de Nada), Philippe Fargnoli (Reffer), Alexandre “Capilé” (Sugar Kane) e Tiago “Hóspede” (Aditive) foram alguns dos que também colaboraram.
Em 2002 lançaram o EP, que na verdade já estava gravado há dois anos. Composto por seis faixas, sendo três inéditas, um remix e dois covers (Dance of Days e Primal Therapy), segue a linha do álbum Sirva-se. Paralelamente, nesse mesmo ano, divulgaram o Projeto Peixe Morto, com o disco Metrofire, um som mais cru que o do Dead Fish.
O Peixe Morto nasceu de alguns ensaios, mais como uma brincadeira. Ainda hoje não é muito comentado pela banda que diz sentir vergonha do trabalho “mal feito”. Inclusive criaram codinomes para os integrantes e demoraram um bom tempo para assumir a autoria. Apesar disso chegaram a fazer show pelo Projeto.
Já o ano de 2003 foi um período turbulento. Murilo deixou a banda por divergências musicais e pessoais, o selo Terceiro Mundo acabou e muitos apostaram que a banda também acabaria. Lançaram o primeiro cd ao vivo, gravado no Hangar 110 meses antes. O setlist foi diversificado e contou com os elementos mais marcantes dos trabalhos anteriores: hardcore rasgado, bases elaboradas, letras conflitantes, algumas melodias mais lentas, batidas pesadas.
Após um período de reestruturação Philippe e Hóspede, que já haviam tocado com o Dead Fish, entraram oficialmente como guitarristas. A grande guinada veio logo em seguida quando a banda assinou com a Deckdisc, nascendo assim o Zero e Um, um dos melhores álbuns da banda. Sua produção foi rápida e intensa, em dois meses compuseram e gravaram tudo. O resultado é excelente!
Após as crises do ano anterior, esse disco chegou como um desabafo, uma forma de mostrar que estavam mais vivos do que nunca. O disco é empolgante do começo ao fim, com uma seqüência de músicas que se encaixa perfeitamente. Há clássicos como Zero e Um, Queda Livre, Bem-vindoao Clube e Você. Essa última engana ao parecer uma canção de amor melosa, mas no final se mostra um tapa na cara da sociedade capitalista.
Ainda em 2004, lançaram o DVD ao vivo MTV Apresenta Dead Fish. Vinte e quatro músicas e um registro fiel das apresentações da banda, que dá o sangue no palco e contagia os fãs como ninguém. Stage Diving e rodinhas de bate cabeça também não faltam. Nos extras há ainda imagens de ensaios, galeria de fotos, um retrospecto anos de estrada e um pouco sobre os cinco integrantes.
Foto por: Luringa
Se por um lado a nova fase agradou, por outro foram acusados de terem se vendido para a mídia. Mudaram-se pra São Paulo, tiveram suas rotinas alteradas, a quantidade de shows aumentou consideravelmente, estavam na TV, estavam no rádio. Com a projeção nacional, chegaram inclusive a vencer o prêmio de Artista Revelação do VMB daquele ano. Prêmio meio irônico se considerarmos os 13 anos de carreira que eles já tinham até então.
E se pensarmos em todos os anos de estrada e todas as dificuldades enfrentadas, já estava na hora do Dead Fish sair do underground e levar sua mensagem para mais além, eles mereciam ser ouvidos por mais gente. Até porque mesmo em uma gravadora, a banda nunca perdeu o seu caráter underground. Os valores, os ideais, as opiniões fortes nunca perderam força.
Com o Zero e Um rodaram o país. Se antes já eram reconhecidos como o principal nome do hardcore nacional, o prestígio só aumentou. Em 2006 lançaram o segundo álbum pela Deck. Um Homem Só veio com uma pegada diferente, mais pesado, com uma produção mais trabalhada. É um disco homogêneo, autêntico, engajado e sonoramente diferente daquilo que eles já haviam feito. As músicas estão ligadas umas às outras e representam uma revolução interna, mostrando que só nós somos responsáveis por nós mesmos. “Vá ser o que quiser, mãos feitas pra construir” é a frase que encerra Um Homem Só, faixa-título que encerra também o cd permite interpretações sociais, políticas e religiosas.
Neste mesmo ano a banda relançou suas primeiras demos através do selo Laja Records. Demo-Tapes é uma compilação de #1 e Re-progresso, além de um bônus, e conta ainda com encarte com fotos da época, vários vídeos da banda, além de flyers e cartazes de shows do início da carreira. Um material e tanto para fãs colecionadores ou para aqueles que não conheciam os primórdios da banda.
Em 2007 fizeram uma turnê pela Europa e no final daquele ano, Hóspede deixou o grupo, aparentemente por problemas internos semelhantes aos que já haviam acontecido com Giuliano e Murilo. A diferença é que dessa vez ninguém o substituiu e o Dead Fish seguiu como um quarteto.
Em 2009, já com o Contra Todos gravado, foi a vez de Nô abandonar o barco, entrando Marcão Melloni em seu lugar. Muitas pessoas entraram em saíram da banda, mas a saída de Nô foi certamente a mais significativa, pelo menos para o Rodrigo. Os dois eram amigos de longa data, começaram juntos a história do Dead Fish e o real motivo por eles romperem nunca foi divulgado.
O fato é que Rodrigo nunca fez questão de esconder o quanto era difícil para ele estar nos palcos sem o baterista que o acompanhou por tantos anos, principalmente quando cantava Asfalto, música que retrata a vida da banda na estrada e o fazia lembrar muito dos anos de banda ao lado de Nô.
Foto por: Mauricio Santana
De um modo geral, Contra Todos é simples, objetivo e rompe com a sonoridade testada em Um Homem Só. De maneira direta, a banda dá o seu recado com peso, velocidade, batidas fortes, guitarras bem trabalhadas e vocais rasgados. Autonomia e Contra Todos são os “hits” da vez, servindo como uma forma de encorajar a sempre seguirmos adiante e enfrentar as obstáculos para trilharmos nosso caminho, afinal “somos parte do jogo”.
Em 2011, a banda completou 20 anos de carreira. Um novo álbum já está processo de produção e algumas músicas já estão sendo tocadas nos shows. O disco será o primeiro com a formação atual.
Para comemorar as duas décadas de Dead Fish, será gravado um DVD ao vivo no Circo Voador. O show tem tudo para ser histórico! Além de um setlist escolhido pelos fãs através de uma enquete, é provável que ex-integrantes também participem da apresentação.
Será uma celebração marcante, assim como a carreira dessa banda que com sua performance explosiva, seu engajamento político e social, sua honestidade e sinceridade, nunca deixou de acreditar nos seus objetivos mesmo nadando contra a maré. Foram persistentes, abriram novos caminhos, venceram as dificuldades e conseguiram sobreviver em um cenário independente nada glamuroso.
Cenário esse descrito por Rodrigo como sólido, apesar de difícil, o que o torna seletivo.O independente aqui do lado de cá no terceiro mundo é uma coisa que funciona porque tem muita gente que está a fim de fazer mesmo, ninguém está ali porque vai ficar milionário ou porque vai se tornar super conhecido, está ali porque gosta.
Que o Dead Fish siga em frente por mais uns bons anos, sem perder o engajamento, a personalidade e o hardcore que consagrou a banda e serve como referencial e motivação para tantas outras que surgiram depois. E que amar, viver, cantar nunca seja em vão.

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